Aldeia de Transformação Digital da Saúde na Amazônia
O auditório da Escola Superior de Tecnologia da UEA recebeu, no dia 9 de setembro, o professor Dr. Ivan Torres Pisa para uma conferência sobre inteligência artificial aplicada à saúde. Sua apresentação integrou a programação da Aldeia de Transformação Digital da Saúde na Amazônia, que reuniu pesquisadores, gestores e profissionais para debater inovação e tecnologia em benefício do SUS.
Durante sua fala, o professor destacou os impactos do projeto IDs – Inteligência Digital em Saúde, desenvolvido em seu grupo de pesquisa, e como ele pode transformar a prática dos serviços de saúde ao apoiar gestores, profissionais e cidadãos na nova era da saúde digital.
O que é o projeto IDs
O projeto IDs surge da adaptação de um modelo internacional de competência digital — criado inicialmente para avaliar habilidades de jovens em ambientes digitais — para o contexto da saúde. A proposta da equipe coordenada por Ivan Pisa foi transformá-lo em um instrumento para avaliar e desenvolver a “literacia digital” de profissionais e estudantes da área da saúde, algo considerado estratégico diante do crescimento acelerado das ferramentas de inteligência artificial e telessaúde.
Segundo o professor, trata-se de uma autoavaliação estruturada que indica o nível de domínio digital do usuário e sugere trilhas formativas adequadas para aprimorar suas habilidades. O objetivo é que esse mecanismo seja incorporado futuramente a plataformas nacionais, como o aplicativo Meu SUS Digital, ampliando o alcance para profissionais e até cidadãos que desejarem se preparar para interações tecnológicas na saúde.
Relevância para a saúde pública
Pisa ressaltou que a alfabetização digital é um fator decisivo para que ferramentas de IA possam trazer impactos reais ao SUS. "Não basta termos algoritmos sofisticados se os profissionais da ponta não tiverem familiaridade mínima com o uso das tecnologias digitais", afirmou. Nesse sentido, o IDs pode atuar como um elo entre a inovação tecnológica e a realidade cotidiana da atenção primária em saúde, especialmente em regiões desafiadoras como a Amazônia.
Ele lembrou que o projeto já conta com apoio do CNPq e vem sendo aplicado em estudos com milhares de respondentes, cujos resultados iniciais mostram potencial para subsidiar políticas de capacitação digital em saúde.
Integração com o cenário nacional de IA na saúde
Além do destaque ao IDs, o professor contextualizou sua fala com os avanços recentes no Brasil, como o programa SUS Digital, os novos investimentos federais em saúde digital e o andamento do marco legal da inteligência artificial no Congresso Nacional. Pisa observou que a saúde é hoje o segundo maior setor em prioridade de investimentos em IA no país, e que a formação digital dos profissionais é um fator-chave para que esses investimentos gerem benefícios concretos.
Olhar amazônico e parcerias
O professor destacou o papel da Aldeia de Transformação Digital da Saúde como iniciativa inédita que reúne competências regionais em inovação. Ele reforçou que a Amazônia pode se tornar protagonista na experimentação de novos modelos de atenção digital, sobretudo em áreas remotas e populações indígenas e ribeirinhas.
O projeto IDs, nesse cenário, é visto como uma das ferramentas que podem impulsionar a capacitação digital de redes locais de saúde, em diálogo com as políticas nacionais de transformação digital. Pisa finalizou ressaltando a importância de manter esses projetos em domínio público, para que o conhecimento produzido nas universidades retorne integralmente à sociedade.