Fase 1 · 2017-2018 literacia informacional
Contexto
Na atual sociedade da informação e conhecimento é importante encontrar, analisar e utilizar a informação de forma adequada. Para isso são necessárias competências e habilidades relacionadas com a pesquisa, avaliação, gestão, uso e difusão da informação. Há diversas maneiras de se considerar a literacia digital, todas dependentes do contexto e tipo de aplicação, cada uma com suas limitações. Do projeto literacia digital da Universidade de Westminster, Londres, temos que literacia digital é a habilidade de localizar, organizar, compreender, avaliar e analisar informação usando tecnologia digital. Envolve um conhecimento do funcionamento da alta tecnologia atual e uma compreensão sobre como ela pode ser usada. Também considera uma consciência de quanto a tecnologia afeta o comportamento humano e cultural. Pessoas com literacia digital conseguem se comunicar e trabalhar de maneira mais eficiente, especialmente com aqueles que possuem o mesmo nível de conhecimento e habilidades (1).
Objetivo
Avaliar a maturidade da literacia digital de estudantes do Curso EaD de Especialização em Informática em Saúde da UNIFESP, 5a edição (2), e identificar competências quanto ao uso de tecnologias digitais. Esperava-se que a análise de literacia digital possibilitasse compreender o nível de atividades, suporte técnico e educacional que os coordenadores, professores e tutores deveriam oferecer aos alunos no curso.
Fundamentos
O questionário de avaliação de competências elaborado baseia-se nas diretrizes do Espaço Europeu de Educação Superior (EEES) por meio do questionário IL-HUMASS (3) sobre literacia da informação no ensino superior, no questionário de auto-avaliação de literacia digital (1) da Universidade de Westminster, Londres, e no questionário de avaliação de literacia digital do projeto Microsoft Digital Literacy (4). Seções dos modelos originais foram selecionadas, traduzidas e adaptadas para o cenário brasileiro. A técnica de grupo focal (5) foi usada para aprovação do modelo elaborado, análise de sensibilidade das questões e desenvolvimento de hipóteses. A implementação do instrumento web teve como base a linguagem em PHP e banco de dados MySQL, com identificação automática dos respondentes redirecionados do ambiente virtual de aprendizagem Moodle. Os resultados foram analisados por estatística descritiva (6) e para identificação de grupos de participantes com respostas semelhantes o método K-means (7) foi usado. A coleta, o armazenamento e a divulgação de dados respeitam diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) (8). O teste de literacia digital elaborado possui 30 questões fechadas contendo questões assertivas sobre tópicos de tecnologias, questões sim/não sobre o uso de recursos tecnológicos, questões de múltipla escolha sobre as estratégias no uso de recursos tecnológicos, questões de múltipla escolha sobre a frequência no uso de recursos tecnológicos, questões de múltipla escolha sobre a percepção da importância dos recursos tecnológicos e questões auto-avaliativas de classificação da literacia digital. O questionário foi separado em 4 seções sendo literacia digital em geral, literacia digital em estudos e aprendizados acadêmicos, literacia digital em atividades profissionais ou no trabalho/emprego e literacia digital em vivências pessoais e atividades sociais e de entretenimento. O questionário online leva em torno de 20 minutos para ser respondido. O resultado indica um valor 0-100% para os 6 indicadores calculados literacia digital em geral, assertividade, estratégias, usos de tecnologia, frequência e percepção da importância, e um indicador único da auto-avaliação da literacia digital.
Resultados
O questionário foi respondido voluntariamente por 522 estudantes do curso, conforme tela parcial da Figura 1. Os resultados foram reunidos e analisados usando estatística descritiva e agrupamentos foram identificados. A Figura 2 apresenta parte dos resultados da análise estatística. Os indicadores de percepção da importância e assertividade não apresentaram diferenças significativas. Foi identificado o nível de literacia digital para cada respondente com base nas seguintes categorias, contabilizando o total de respondentes: alta literacia (n=282 pelo teste x n=136 autoavaliado), média literacia (230 x 232), literacia razoável (21 x 136), baixa literacia (12 x 33) e literacia muito baixa (1 x 9), respectivamente. Para cada categoria também foram identificados os níveis superior e inferior de literacia digital para cada indicador. Por exemplo, para o grupo com literacia digital alta foi identificado importância acima de 90% (n>90%), assertividade n>80%, estratégias n>60%, frequência n>60% e usos n>40%.
O Teste IDs resultou em uma literacia digital média de 71,0% para os estudantes da especialização (mediana 75,1%; mínimo 3,0%; máximo 98,0%). Os resultados da aplicação do Teste IDs com os estudantes possibilitou direcionar decisões da coordenação e da tutoria do curso quanto à escolha de materiais e as melhores abordagens a serem empregadas no curso. Os resultados apontaram quais eram os alunos e os polos UAB de apoio que precisavam de maior apoio tecnológico e indicaram hábitos e recursos mais usados. Assim, foi desenvolvido um plano de estudos com ferramentas para apoiar o desenvolvimento dos conteúdos do curso.
Figura 1. Questionário do teste de literacia digital fase 1 de 2017 (IDs pre-alpha). (a) Tela parcial do questionário. (b) Tela parcial do resultado do teste.
Figura 2. Parte dos resultados do teste de literacia digital fase 1 de 2017 (IDs pre-alpha) com 522 respondentes. (a) Boxplot parcial dos indicadores calculados. (b) Gráfico de radar dos agrupamentos obtidos pelo K-means.
Siituação
No momento o teste de literacia digital, versão pre-alpha, encontra-se suspenso para uso público.
Equipe
Prof. Dr. Ivan Torres Pisa, UNIFESP (coordenação)
Prof. Gilberto Vieira Branco, Tutor IS5, UNIFESP
Colaborações:
Profa. Dra. Claudia Galindo Novoa, UNIFESP
Profa. Dra. Josceli Maria Tenório, IFSP
Frederico Molina Cohrs, Me., UNIFESP
Andréa Pereira Simões Pelogi, Me., UNIFESP
Referências
1. University of Westminter. Skillslab [Internet]. London: 2017. [cited 2024 May 14]. Available from: https://bit.ly/455U8LO.
2. Pelogi APS, Tenório JM, Pisa IT, Novoa CG. Especialização em Informática em Saúde UAB/UNIFESP: Relato de experiência. J Health Inform. 2022:14(Especial). Disponível em: https://jhi.sbis.org.br/index.php/jhi-sbis/article/view/976.
3. Lopes C, Pinto M. IL-HUMASS – Instrumento de Avaliação de Competências em Literacia da Informação: um Estudo de Adaptação à População Portuguesa (Parte I) [Internet]. Lisboa: Instituto Universitário. 2010. [citado 14 Maio 2024]. Disponível em: https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/200.
4. Microsoft. Discover digital literacy courses and resources [Internet]. [s.l.]. [citado mai 2024]. Disponível em: https://www.microsoft.com/pt-br/digital-literacy.
5. Morgan DL. Focus groups. Annu. Rev. Sociol. 1996;22:129-52.
6. Triola MF. Elementary Statistics. 13a ed. Boston: Pearson; 2018.
7. Hartigan JA, Wong MA. Algorithm AS 136: A k-means clustering algorithm. J R Stat Soc [Ser C Appl Stat]. 1979;28(1):100-8.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Lei Nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Redação dada pela Lei Nº 13.853 de 2019. [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde. 2019 [citado 14 mai 2024]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2019-2022/2019/Lei/L13853.htm.