Projeto IDs é destaque em evento Confluencia3
O projeto Inteligência Digital em Saúde (IDs), coordenado pelo professor Ivan Torres Pisa, do Departamento de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (DIS/EPM/Unifesp), foi um dos destaques da 2ª edição da Confluencia Sessions, realizada no dia 14 de outubro de 2025, pelo Instituto de Estudos Avançados – Polo Ribeirão Preto da USP (IEA-RP/USP).
Com o tema “Literacia e Transformação Digital em Saúde: Passado, Presente e Futuro”, o encontro reuniu especialistas do Brasil, Chile e Suécia para discutir os avanços, desafios e perspectivas da transformação digital em saúde, com foco especial em populações vulneráveis e formação de profissionais.
O evento, transmitido ao vivo pelo canal do IEA-RP/USP no YouTube, foi conduzido em inglês e contou com a moderação de Ricardo Ivanovich, a abertura da professora Cristiane Galvão, coordenadora do grupo Confluencia, e apresentações de Tashmi Karunaratne, do Royal Institute of Technology (Suécia), e Viviana Torres, do National Center for Health Information Systems (CENS), no Chile.
Representando o Brasil, o professor Ivan Torres Pisa apresentou o projeto IDS, uma iniciativa voltada à avaliação e promoção das competências digitais em saúde entre estudantes e profissionais da área. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Fiocruz, o projeto busca compreender e fortalecer o nível de inteligência digital dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante sua fala, o professor contextualizou os desafios de se mensurar e desenvolver a literacia digital em um país com dimensões continentais e marcadas desigualdades socioeconômicas, como o Brasil.
“Trabalhar com saúde digital em um país do tamanho do Brasil é um desafio de escala e diversidade. O Teste IDs foi criado para identificar o nível de competências digitais de profissionais e estudantes e, a partir disso, oferecer trilhas de aprendizado acessíveis, personalizadas e alinhadas às necessidades do SUS”, destacou o professor Pisa.
O professor também apresentou as três fases de desenvolvimento do projeto:
- Avaliação da literacia digital de estudantes do curso de Especialização em Informática em Saúde da Unifesp, com mais de 700 participantes em todo o país;
- Desenvolvimento de um modelo nacional de competências digitais em saúde, adaptado à realidade do SUS e alinhado às estratégias de transformação digital em saúde do Brasil;
- Criação do portal Teste IDs, uma plataforma gratuita e aberta de autoavaliação das competências digitais, voltada principalmente para profissionais da Atenção Primária à Saúde.
O projeto adota referenciais internacionais como o Digital Intelligence Framework, do DQ Institute (Cingapura), e o IEEE Digital Intelligence Standard, aplicando esses conceitos ao contexto da educação e prática profissional em saúde no Brasil.
Durante sua apresentação, o professor Pisa destacou a importância de evoluir o conceito de literacia digital para o de inteligência digital em saúde, que inclui não apenas o domínio técnico das tecnologias, mas também aspectos éticos, sociais e de tomada de decisão informada.
“A inteligência digital vai além do uso de ferramentas. Trata-se de compreender, avaliar e aplicar tecnologias de forma responsável, colaborativa e humanizada — especialmente quando o objetivo é ampliar o acesso e a qualidade do cuidado em saúde”, explicou.
Ele também ressaltou que o Teste IDs como uma ferramenta diagnóstica, que permite mapear o nível de maturidade digital de trabalhadores da saúde, subsidiando políticas públicas e ações de capacitação contínua.
“Nosso propósito é fornecer dados concretos para apoiar estratégias de educação permanente e fortalecer o SUS Digital, promovendo uma transformação que valorize as pessoas e o aprendizado contínuo”, afirmou.
Em suas considerações finais, a professora Cristiane Galvão, coordenadora do grupo Confluencia, destacou a relevância da contribuição brasileira:
“O professor Pisa trouxe uma visão aplicada e realista sobre a transformação digital no SUS, mostrando que o Brasil tem gerado conhecimento e ferramentas que podem inspirar outros países da América Latina”, afirmou.