Perguntas frequentes
Sobre inteligência digital em saúde
O conceito de inteligência digital baseia-se na teoria do quociente de inteligência aplicado aos aspectos da vida digital contemporânea e foi proposto pelo DQ Institute de Singapura, em 2019. É considerado como uma evolução dos conceitos de quociente de inteligência (QI) e quociente de inteligência emocional (QE) e baseia-se em uma matriz de competências compiladas em iniciativas globais de literacia digital de instituições como British Columbia, Microsoft, Mozilla, OCDE, The Open University, UNESCO etc.
O que é inteligência digital em saúde?
O conceito de inteligência digital em saúde (IDs) - proposto por este projeto - refere-se ao conjunto de competências, conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que possibilita ao indivíduo o uso eficaz das tecnologias digitais de informação e comunicação no desempenho de suas atividades, funções e interesses na área da saúde. Considera a capacidade de compreender, avaliar, integrar e aplicar informações digitais, promovendo um ambiente de saúde mais eficiente e inovador em decorrência das demandas da saúde digital.
Como pode ser empregado este conceito?
Pode ser empregado a estudantes e trabalhadores da área da saúde, assim como para pacientes, cuidadores, familiares e a todo cidadão que lida com os aspectos da saúde e do bem-estar. A aplicação do conceito IDs visa capacitar os profissionais para enfrentarem os desafios tecnológicos contemporâneos, melhorar a qualidade do atendimento e contribuir para a evolução e maturidade dos serviços de saúde digital. E para o consumidor de saúde a IDs visa melhorar seu acesso à informação, promover a autogestão da saúde, facilitar sua comunicação com os profissionais de saúde e aumentar a participação informada nas decisões relacionadas ao seu próprio cuidado.
O que este conceito abrange?
Em sua estrutura o conceito de IDs abrange as dimensões conectividade digital, cidadania digital, criatividade digital e competitividade digital, em harmonia com o conceito de competência digital proposto pela OCDE, que inclui áreas como identidade digital, uso digital, proteção digital, segurança digital, inteligência emocional digital, comunicação digital, literacia digital e direito digital.
O que abrange cada perfil digital?
O perfil conectividade digital considera a habilidade de se conectar usando tecnologias digitais. O perfil cidadania digital considera a habilidade de usar tecnologia e mídias digitais de forma segura, responsável e ética. O perfil criatividade digital considera a capacidade de se tornar parte do ecossistema digital e de criar novos conhecimentos, tecnologias e conteúdos para transformar ideias em realidade. O perfil competitividade digital considera a capacidade de resolver desafios globais, inovar e criar novas oportunidades na economia digital, promovendo o empreendedorismo, empregos, crescimento e impacto.
O que é alfabetização digital?
A alfabetização digital corresponde ao domínio inicial de tecnologias, centrado na familiarização com dispositivos e ferramentas básicas de acesso à informação digital.
O que é letramento digital?
O letramento digital representa um avanço, ao incorporar a capacidade de uso consciente, crítico e situado das tecnologias, incluindo a compreensão dos impactos sociais, culturais e éticos do ambiente digital.
O que é literacia digital?
A literacia digital, conforme delineada na norma IEEE 3527.1-2020 e adotada neste estudo, abrange um nível mais elevado de competência, articulando conhecimentos técnicos, cognitivos, metacognitivos e socioemocionais para enfrentar os desafios da vida digital de maneira ética, inovadora e colaborativa.
Como essas definições se entrelaçam?
Esta pesquisa possibilita compreender que os termos alfabetização digital, letramento digital e literacia digital representam estágios distintos, porém complementares, no desenvolvimento das competências necessárias para atuar em uma sociedade cada vez mais mediada por tecnologias digitais. No contexto da saúde, essas distinções são fundamentais para orientar políticas de formação profissional e o desenvolvimento de instrumentos avaliativos. Reconhecer que a competência digital não é uma condição binária — presente ou ausente —, mas um processo contínuo de amadurecimento, possibilita mapear com mais precisão as lacunas formativas e propor ações educativas adequadas a cada nível de desenvolvimento. Ao reforçar a centralidade da literacia digital como eixo estruturante da inteligência digital em saúde, este estudo contribui para o avanço teórico e prático de iniciativas voltadas à qualificação dos profissionais frente às demandas de um sistema de saúde cada vez mais digitalizado.
Qual é o termo mais usado?
A análise da frequência dos termos nas bases consultadas revela que no Brasil o termo letramento digital é mais usado do que alfabetização digital ou literacia digital. No entanto, essa preferência terminológica não necessariamente reflete uma compreensão aprofundada das distinções conceituais entre os termos. Com base nos achados deste estudo e nas abordagens internacionais, reforçamos a relevância de adotar o termo literacia digital quando se pretende referir ao conjunto mais amplo e complexo de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que qualificam o uso crítico e ético da tecnologia, especialmente no desenvolvimento de competências digitais em profissionais da saúde e na produção científica em língua portuguesa.